domingo, 14 de novembro de 2010

O dia em que o Sol chorou

Estava a aproveitar o sol, sentada a contemplar a imagem.
Ele estava lá como sempre,presente,tão presente.
Eu observo-o muito bem, tenho-o o visto muito poucas vezes desde que me mudei e sinto uma saudade imensa de que ele me fale de falar com ele e de todas as coisas que aprendi com ele só de ver e também de falar e rir e tantas outras coisas.
Ele estava com um ar velho e gasto,ainda assim lindo como tudo,um ar pesado e de sofrimento contido.
Eu no meio de tanta gente fui a escolhida para perceber o que se passava com ele, não perguntei nada,e ele num abrir e fechar de olhos estava a abrir a sua caixinha de pandora para mim.
Foi então que percebi que era sofrimento de pai,de existir um filho que merece tudo e cada vez tem menos,de filho que faz tudo.
Eu fiquei magoada,na condição de neta do Sol,isso afectava-me.
Mas apesar de não ter dito nem pensado na altura agora sou capaz de afirmar que embora tenha medo acima de tudo tenho força e não temo porque confio e em todos os milhares de minutos da minha existência por nada tive de temer,enfrentando na mesma terríveis bichos feios, mais feio ou menos feio eu acredito que ela consegue, a linda e esplendorosa árvore,fruto do sol, vai conseguir permanecer e crescer.
Portanto Sol meu, não chores, não derrames essas lágrimas de lava que me atormenta ver-te assim, que me atormenta sentir-me assim e que a árvore assim tem tendência a temer o medo,coisa que nunca fez e nem é agora que vai acontecer.

causa-efeito

Ela tinha o dom,mas entretanto ele desvaneceu, dizia que nunca o iria perder mesmo que crescesse muito,mesmo que se tornasse adulta e não o perdeu. ele está meio apagado,só isso.
E ela padece de uma luta interior para não o deixar fugir, é a única coisa que existe e onde ela se pode agarrar,e agarra-se com unhas e dentes e ele não foge. ele não foge.

Os dias tornam-se pesados como fardos enormes de palha, uma coisa aparentemente leve mas que em formato condensado tornasse terrivelmente pesada..
Aquela agonia a contrastar com a serenidade da ideia de que todos tendemos a exagerar,e no meio disso a intermitência, que não deixa dar passos nem para a frente nem para trás e quando não se sabe o que fazer cai-se no erro de pensar e pensar e pensar... ideias difíceis de aceitar, ideias difíceis de dizer alto, actos de coragem que já se sabem reprovados por orgulhos e até algum bom senso.
Coisas.

Consequências de mudança, consequências não dela mas para ela.
e só lhe apetece mas não consegue, está contida retraída, com pregos na alma que a deixam lá afincada naquela ideia de caos de miséria e podridão. solidão.
Não sabe o que é estar sozinha, mas sabe muito bem o que é ser a única pessoa de duas pessoas e pesa e mói e dói, e não era suposto.

Não consegue suportar.