domingo, 14 de novembro de 2010

O dia em que o Sol chorou

Estava a aproveitar o sol, sentada a contemplar a imagem.
Ele estava lá como sempre,presente,tão presente.
Eu observo-o muito bem, tenho-o o visto muito poucas vezes desde que me mudei e sinto uma saudade imensa de que ele me fale de falar com ele e de todas as coisas que aprendi com ele só de ver e também de falar e rir e tantas outras coisas.
Ele estava com um ar velho e gasto,ainda assim lindo como tudo,um ar pesado e de sofrimento contido.
Eu no meio de tanta gente fui a escolhida para perceber o que se passava com ele, não perguntei nada,e ele num abrir e fechar de olhos estava a abrir a sua caixinha de pandora para mim.
Foi então que percebi que era sofrimento de pai,de existir um filho que merece tudo e cada vez tem menos,de filho que faz tudo.
Eu fiquei magoada,na condição de neta do Sol,isso afectava-me.
Mas apesar de não ter dito nem pensado na altura agora sou capaz de afirmar que embora tenha medo acima de tudo tenho força e não temo porque confio e em todos os milhares de minutos da minha existência por nada tive de temer,enfrentando na mesma terríveis bichos feios, mais feio ou menos feio eu acredito que ela consegue, a linda e esplendorosa árvore,fruto do sol, vai conseguir permanecer e crescer.
Portanto Sol meu, não chores, não derrames essas lágrimas de lava que me atormenta ver-te assim, que me atormenta sentir-me assim e que a árvore assim tem tendência a temer o medo,coisa que nunca fez e nem é agora que vai acontecer.

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